Alfabeto Escalafobético do Sr Rodrigues
 

 
Um dicionário muito pessoal com conceitos de um escritor carioca.
 
 
   
 
Quarta-feira, Novembro 24, 2004
 


Junior
- o meu Dr Jekyll-

Por muito tempo pensei que o Junior fosse o meu Mr Hyde. Afinal é o nome
mais íntimo usado pelos meus familiares e pela minoria dos meus amigos.
Junior seria a minha parte infantil, livre, onipotente, senhora de si,
que faz o que quer e bem entende: a criança mimada.

Depois do meu primeiro e fracassado namoro cheguei a conclusão que o Junior
representa o oposto: o Dr Jekyll. É ele que confere todas as expectativas
familiares, o meu ascendente leonino que diz: não vai ser gauche na vida, vá
brilhar. Uma criança mimada ainda colada nas expectativas dos pais. Mas
nessa minha convencional dualidade Junior não é mocinho nem bandido: é
o infantil dentro de todos nós.

Na letra O talvez esse cidadão, que mascara o comodismo do Odilon, vai
ser explicado melhor.

Quarta-feira, Novembro 10, 2004
 
ID
Ou melhor dizendo: Isso.

ID ( ENTIDADE )

Um roteiro para um curta talvez. Um psicanalista. Davi. Judeu de formação, agnóstico por convicção. Freudiano por opção, talvez a única que julgou interessante durante a sua vida.
Ok, por algum motivo ainda não bem explicado ele vai parar em um terreiro de macumba. Sei que parece óbvio esse jogo de religiões em nome de uma pseudobrasilidade. O Preto Velho conversa com ele. Ele se revolta e coloca todos os seus desejos. Ele acorda. Desmaiou no meio da aula. Do lado de fora um faxineiro diz para ele: ¿cavalo mal ¿ acostumado fica assim mesmo, mas depois o senhor se acostuma¿. Não está boa esta idéia, confesso, mas é uma ID(éia).

ID (OTA)
Foi o Ogro a fazer essa analogia na sala de aula. Nos sentimos especiais: a religião diz que somos especiais pois somos filhos de Deus, o que um povo xpto é o povo eleito e por aí vai. A família (não todas) também nos diz isso. As obrigações sociais de se casar, formar, ter um trabalho que o dignifique e dê um status é para satisfazer esse desejo. No fundo somos todos idiotas diante dessas exigências do supereu. E se tiver um curto ¿ circuito no meio de tamanha demanda, a receita: Prozac, Zoloft e Xanax. Terapia, não, obrigado. Ali percebemos o quanto somos IDotas, quando nos deparamos com as exigências do ¿isso¿, aquela instância psíquica definia por Freud em sua segunda tópica que revela os nossos desejos mais livres e, porque não, infantis. E o carregamos na vida adulta disfarçado, cheio de fantasias, mas não morto, ignorando a perenidade do ser. Essa é a maior idiotice nossa, talvez.

ID (IOMA)
Ioma vem de outro planeta. Lá não há instituições, leis, regras, igrejas, ideologias, teorias ou qualquer coisa do tipo dizendo como as coisas devem ser feitas. Ioma não é humano. Ainda assim resolve visitar a Terra. E mesmo tendo a mente avançada e sabendo falar qualquer língua falada neste planeta, não entende absolutamente nada do que é dito. Ele não está preparado para contradições. Pensa que estamos errados, mas no fim conclui que ele também não se dera conta que existe uma coisa: a diferença. Todavia isso não o fez inocentar os humanos, os mesmos que dizer ter criado uma ¿droga do amor¿ quando dança individualmente E parte deles elege para chefe do mundo o príncipe da intolerância. Porque concorda com ele.

ISSO
Pronome demonstrativo. Sem flexão de gênero, número ou grau. Não importa se é homem ou mulher. Se são muitos ou se é só uma coisa. Se é realmente uma coisa, grande ou pequena. Só sabe-se que é usado para algo próximo do ser que fala, senão seria ¿aquilo¿ (que é como chamamos o sexo, querendo deixá-lo bem longe de nós) É isso. O indizível. O que ganha várias máscaras frente a nossa hipocrisia, na realidade a fragilidade do ser que se percebe mortal. O ser que para tentar escapar d(isso) inventa regras duríssimas, seja em religiões ou ideologias sem Deus. Mas este mesmo ser , quando sabe usar em seu (id)eal cria a grande obra artísica, a música, a poesia ¿ sem compromisso com a verdade, disse Platão ¿ a pintura, a arquitetura, o cinema, o teatro. E muitas vezes estes retratam a nossa (id)otice e a nossa (id) entidade. Creio que Ioma não viu ISSO.

Isso tudo foi um momento em que o Sr Rodrigues resolveu gastar um pouco do seu psicanalistês.

Segunda-feira, Novembro 08, 2004
 


GHormônios

GH, hormônio do crecimento. Somatrotopina. Na realidade ele não é o hormônio que faz crescermos mas é algo
que precipita a produção de outro hormônio que faz isso. Seria a testosterona? O livro de
fisiologia do Sr Rodrigues não está disponível no momento.

Quando se fala em hormônio, fala-se em sexualidade. A sexualidade do jovem com os hormônios
em ebulição com tesão nos corpos da revista moldados por GH obtido em vidrinhos e que servem
para "turbinar" os músculos. Eles estão na pauta nessa locura que é a obsessão pelo corpo.

Sexualidade, Identidade e Hormônios: a salvação do machismo classe média leitor de Veja.
O cara justifica trair a mulher, enfiar a porrada nela e em outros caras por culpa da
testosterona. E o idiota cita a revista para justificar tal ato. O sr Rodrigues ri.

O poder patriarcal machista ganha status de "ciência": o homem trai porque seus hormônios
assim o impelem e geneticamente ele tem que espalhar seus genes, já que ele tem milhões
de espermatozóides. As mulheres, por favor, não podem trair, pois elas só tem um óvulo
pra presentear o seu "macho". Já descobriram o gene da burrice?

Qual o hormônio que ainda nos torna tão intolerantes?
Qual o hormônio do cinismo?

Se antes a religião justificava o a maneira expúria que lidamos com o poder na sociedade, hoje a pseudo-ciência faz esse papel. Os médicos marketeiros substituem sacerdotes e haja GH pra "purificar" o corpo. Bye bye água benta, pois tu és coisa do passado!

 

 
   
  This page is powered by Blogger, the easy way to update your web site.  

Home  |  Archives